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quarta-feira, 26 de março de 2014

Brasil: Marco Civil da Internet é aprovado com a rejeição de apenas um partido


A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (25) o projeto do Marco Civil da Internet, que trancava a pauta desde 28 de outubro, impedindo outras votações em sessões ordinárias. O texto segue agora para o Senado e, se não sofrer modificações, vai para sanção presidencial.
Foram 17 votos a favor e um único contra: do PPS, sigla presidida pelo deputado Roberto Freire.
Alessandro Molon,  deputado relator do projeto
O projeto redigido pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ) equivale a uma “Constituição”, com os direitos e deveres dos internautas e empresas ligadas à web. No ano passado, depois das denúncias sobre espionagem nos EUA, o governo federal enviou pedido à Câmara para que tramitasse em regime urgência constitucional (como não foi votado, passou a trancar a pauta).

Neutralidade

A votação do projeto vinha sendo adiada há pelo menos dois anos, principalmente por causa de pontos considerados polêmicos. Recentemente, o marco passou a fazer parte do desentendimento entre o governo e partidos insatisfeitos do chamado “blocão”. O mais ferrenho opositor do projeto era o PMDB, que discordava de pontos como a neutralidade da rede (a neutralidade garante que empresas de telecomunicações não vendam pacotes com discriminação do tipo de conteúdo acessado pelo internauta).
O texto aprovado impede que, futuramente, os fornecedores de sinal de internet cobrem uma fatura mais cara, ou ofereçam uma velocidade menor de transmissão, de acordo com o tipo de conteúdo visto pelos usuários. Este é, portanto, o chamado princípio da “neutralidade da rede”, defendido pelo relator Alessandro Molon (PT-RJ) e a maioria dos consumidores, mas atacado pelas empresas de telecomunicações.
“Precisamos de lei para proteger a essência da internet, que está ameaçada por práticas de mercado e, até mesmo, de governo. Precisamos de regras para que a liberdade na rede seja garantida”, justificou o relator.
Ao contrário do que o governo e o relator queriam inicialmente, o projeto não foi aprovado com a obrigação de as empresas estrangeiras que possuem informações de brasileiros manterem seus bancos de dados no Brasil. Os chamados “data centers” ficam em diversas partes do mundo, mas o governo desejava que todos ficassem aqui a fim de poder usar leis brasileiras para combater casos de espionagem e violação de privacidade, como os revelados pelo ex-agente da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA) Edward Snowden.
Os documentos exibidos por ele mostraram espionagem sobre mensagens de email da presidente Dilma Rousseff e sobre negócios da Petrobrás às vésperas do leilão do bloco do pré-sal em Libra. O impacto da notícia, no segundo semestre do ano passado, acelerou a aprovação do projeto do marco civil.
Mas na negociação com as teles e com o PMDB nos últimos dias, o governo recuou na exigência dos “data centers” para manter o princípio da neutralidade. Ainda assim, o projeto reforça que as empresas estrangeiras que ofereçam serviços ao público brasileiro estão sujeitas às leis nacionais.

Vídeos e pornografia

Apesar de assegurar a neutralidade da rede, a presidente da República poderá baixar um decreto para detalhar questões técnicas do princípio, desde que ouça antes a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI). De acordo com Molon, o futuro decreto deve incluir, por exemplo, permitir que os dados de vídeo ao vivo trafeguem mais rápidos e com preferência sobre as mensagens de email. Sem isso, os vídeos ao vivo perderiam o sentido.
Na versão do substitutivo aprovada, foi incluído, a pedido da bancada feminina, artigo que proíbe a chamada “pornografia de vingança”, quando parceiros divulgam imagens íntimas das ex-mulheres em redes sociais e outros sites.
O projeto tramitava em regime de urgência constitucional desde outubro de 2013, trancando a pauta da Câmara. Em meio a polêmicas, a votação foi adiada diversas vezes.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Forbes desmente boatos sobre “fortuna” de Lula - Pragmatismo Político

fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/08/forbes-desmente-boatos-fortuna-lula.html

Forbes publica texto desmentindo boatos de que Lula e seu filho seriam bilionários. Revista apontou ainda alguns exemplos de políticos bilionários no Brasil e no mundo

Na última sexta-feira, 23, a revista Forbes publicou um texto, assinado pelo colaborador Ricardo Geromel, que na sua apresentação “afirma que cobre bilionários e tudo relacionado ao Brasil”. Na nota, intitulada Is Lula, Brazil’s Former President, A Billionaire? (Lula, ex-presidente do Brasil, é um bilionário?), Geromel explica a metodologia da revista para elaborar o seu ranking de bilionários e aborda as insinuações de que Lula e seu filho, Lulinha, seriam bilionários.
lula bilionário forbes
Revista Forbes tratou de desmentir montagem espalhada na internet que apontava Lula como bilionário. (Reprodução)
“Depois de ter explicado a nossa metodologia, gostaria de destacar que, embora existam alguns bilionários que são políticos, Lula não é um deles. Caso contrário, ele teria, obviamente, que estar presente na lista anual da Forbes. Alguns exemplos de políticos que são bilionários: Sebastian Piñera, presidente do Chile, US$ 2,5 bilhões; e Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, US$ 27 bilhões”, escreveu Geromel.
“Depois de deixar o cargo de presidente do Brasil, Lula recebeu cerca de US $ 100.000 para um discurso de 50 minutos, da LG, em 2011. Ele também deu palestras para a Microsoft e para a Tetra Pak, e foi pago pelas maiores empresas de construção do Brasil, como a Odebrecht, para viajar por seis nações da África e dar palestras para os executivos locais. No entanto, não há evidência que sugere que Lula esteja perto de se tornar um bilionário”, esclarece o colaborador da Forbes. A assessoria o ex-presidente tem informado que parte desses recursos teriam sido destinados ao Instituto Lula e não a ele pessoa física.
Apesar dos insinuações que circulam em redes sociais de que Lulinha, filho de Lula, teria comprado um jato de US$ 50 milhões e que seria um dos donos do Grupo JBS-Friboi, o texto publicado pela Forbes afirma que nenhum dos rumores sobre a riqueza da família do ex-presidente são baseados em fatos reais.
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“O filho de Lula, Fábio Luis Lula da Silva, apelidado de Lulinha, não se tornou (ainda) um bilionário também. Recentemente, Lula negou publicamente os rumores de que Lulinha é dono de um jato de US$ 50 milhões e que é um dos donos do JBS, o maior produtor mundial de carne bovina, por venda, com capital de mercado em US$ 10 bilhões. Antes que seu pai fosse eleito presidente do Brasil, Lulinha trabalhou como estagiário em um zoológico. Em 2004, um ano após a primeira eleição de Lula, Lulinha lançou a Gamecorp, empresa que produziu conteúdo para TV e internet. Em 2005, a Gamecorp recebeu mais de US$ 2,3 milhões da Telemar, hoje conhecida como Oi. Mesmo que o próprio Lula tenha afirmado que seu filho era o “Ronaldinho do mundo dos negócios”, a Gamecorp não foi muito bem e suas perdas já somaram mais de US$ 4 milhões. Tem havido uma série de rumores sobre a riqueza da família de Lula, mas nada baseado em fatos reais”, diz o texto.
Geromel ainda enfatiza que o único brasileiro presente na lista de bilionários da Forbes que lida com política “em tempo integral” é Guilherme Leal, que fez fortuna com a Natura, famosa empresa do setor de cosméticos. Leal foi candidato pelo PV à vice-presidência da República em 2010. Entretanto, antes de oficializar sua candidatura se desligou da Natura.
Por fim, o colaborador da Forbes comenta sobre a ajuda que o governo brasileiro tem dado a bilionários através do BNDES, como o empresário Eike Batista, e afirma que dicas sobre novos bilionários, políticos ou não, são sempre bem-vindas.
Só para constar, Forbes é uma revista liberal dos EUA.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

PRAGMATISMO POLÍTICO: Vereadora “sexy demais” é impedida de tomar posse no Irã

Vereadora é impedida de tomar posse no Irã por ser “sexy demais”. Nina Siakhali Moradi foi desqualificada mesmo após conseguir votação expressiva

vereadora sexy irã
Vereadora é impedida de tomar posse no Irã por ser “sexy demais” (Divulgação)
Ser “sexy demais” foi o que impediu uma engenheira e designer de websites de 27 anos de tomar possecomo vereadora na cidade de Qazvin, no Irã, a antiga capital do Império Persa. A informação foi dada pelo periódico britânico The Times na última semana.
A despeito das promessas do novo presidente do Irã, Hassan Rohani, de que os direitos civis femininos vão melhorar em seu governo, Nina Siakhali Moradi foi barrada de seu posto por conservadores islâmicos, que anularam sua eleição ignorando os mais de 10 mil votos que a colocaram em 14º lugar entre os 163 candidatos.
“Nós não queremos uma modelo de passarela na Câmara”, disse uma autoridade de Qazvin à imprensa local. Utilizando o slogan “Idéias jovens para um futuro jovem”, Nina defendia mais direitos para as mulheres na cidade, a restauração dos edifícios antigos e maior participação dos jovens no planejamento urbanístico. Sua candidatura havia sido analisada e aprovada pelo Judiciário iraniano.
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Os cartazes da campanha de Nina continham fotos dela usando hijab (véu que cobre o cabelo, mas deixa o rosto à mostra), sem nenhum fio de cabelo aparecendo, mas, mesmo assim, grupos religiosos conservadores começaram a protestar pedindo sua desqualificação assim que a eleição foi confirmada.
Em carta ao prefeito de Qazvin, os religiosos condenaram os cartazes “vulgares e antirreligiosos”, além de afirmar que eles violavam as leis islâmicas. Entretanto, segundo o portal de notícias IranWire, havia outras objeções à campanha de Nina: sua sede teria se tornado um local de encontro para jovens, cujas roupas e comportamento provocaram críticas de seus adversários, especialmente homens mais velhos e conservadores.
Alguns críticos também disseram que Nina só foi eleita por sua beleza e juventude, segundo o IranWire. O motivo formal de sua desqualificação foi não “observar as leis islâmicas”, ainda que Nina tenha dito não ter sido informada pelas autoridades da decisão. O site ainda informa que a polícia de Qazvin também confiscou os cartazes de outras duas candidatas, Maryam Nakhostin Ahmadi e Shahla Atefeh, além de ter detido as duas por questionarem a ação.
Enquanto isso, a eleição de Rohani foi marcada pela expectativa de que seu governo possa iniciar uma nova era de direitos das mulheres no Irã. “Vou formar um ministério de assuntos das mulheres para devolver seus direitos pisoteados a elas”, afirmou durante a campanha.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

PRAGMATISMO POLÍTICO:

Postado em: 12 ago 2013 às 16:34

Vídeos e fotos revelam homossexuais sendo torturados na Rússia. Grupo defende a conversão dos gays através de tortura física e psicológica

gays torturados rússia
Agressores postam foto com jovem gay torturado na Rússia (Divulgação)
Mais um capítulo triste e assustador na história LGBT da Rússia. Após a denúncia de que grupos anti-gays estariam perseguindo e torturando homossexuais no país, um site italiano reuniu algunsvídeos do Youtube que comprovam essa ação neo-nazista.
As imagens são fortes e mostram jovens sendo humilhados de forma violenta em público e em locais fechados, para onde gays são atraídos e passam por sessões de tortura.
Um dos membros do grupo extremista que não se importa em se expor é Denis Kazak. Em uma rede social russa, ele defende a conversão dos gays através de tortura psicológica, publicando fotos, textos e vídeos de seu tratamento anti-humano.
Seu objetivo é salvar as crianças das mãos dos homossexuais, como se homossexualidade fosse pedofilia. As cenas fazem qualquer ser humano se comover ao se imaginar nessa situação.
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Skinheads russos usam rede social para divulgar tortura a adolescente gay

Um novo relatório do grupo Spectrum Aliança de Direitos Humanos, que tem como objetivo apoiar os direitos da comunidade LGBT na Europa Oriental, divulgado nesta quarta-feira, afirma que skinheads russos estão usando uma rede social para atrair adolescentes gays e, em seguida, torturá-los. O ataque a um jovem foi fotografado (imagem abaixo) pelos skinheads e publicado na internet.
gays torturados rússia
Skinheads russos usam rede social para divulgar tortura a adolescente gay (Divulgação)
“O infame ultranacionalista russo e ex-skinhead Maxim Martsinkevich, conhecido pelo apelido de ‘Cleaver’ (ou ‘Tesak’ em russo) liderou uma grande campanha nacional contra adolescentes LGBTs, usando a rede social VK.com para atrair vítimas através de anúncios. Os inúmeros seguidores e entusiastas de Martsinkevich criaram dois projetos, alegando que estavam tentando localizar e identificar pedófilos nesta rede social. Quando, na verdade, mais de 500 grupos online da VK.com estão se organizando para formar grupos militantes ilegais dentro de cada cidade russa”, explicou o relatório.
O documento afirma que as vítimas foram atraídas por meio da internet, enganadas de que iriam para um encontro romântico. Elas, então, foram intimidadas pelo grupo e, muitas vezes, torturadas. Os ataques foram divulgados na web.
“Curiosamente, a ideia deles de lutar contra pedófilos é uma desculpa para localizar adolescentes gays atraídos por prospostas de relações com pessoas de mesmo sexo. As vítimas são capturadas e, muitas vezes, torturadas, enquanto tudo é gravado”, acrescenta a matéria.
O relatório afirma que alguns dos adolescentes cometeram suicídio ou ficaram “profundamente traumatizados”. O grupo não divulgou a identidade do adolescente na foto divulgada.
Vídeo / Divulgação:
com pheeno e jornal Extra

terça-feira, 13 de agosto de 2013

PRAGMATISMO POLÍTICO: Eficiente blindagem tucana só foi vencida pela Siemens

Blindagem tucana era tão bem sucedida que só foi vencida por uma multinacional alemã, que tomou a decisão de pedir um acordo de leniência junto às autoridades brasileiras, confessando duas décadas de práticas condenáveis, apresentando nomes, cargos e endereços

Paulo Moreira Leite
Ainda é cedo para procurar equivalências entre o esquema financeiro que deu origem ao mensalão petista e o esquema que está por trás dos negócios sombrios que envolvem duas décadas de gestão tucana em São Paulo.
O que já se pode assegurar é que em matéria de autoproteção o esquema tucano mostrou-se muito mais eficiente.
A blindagem tucana era tão bem sucedida que só foi vencida por uma multinacional alemã, a Siemens, que tomou a decisão de pedir um acordo de leniência junto às autoridades brasileiras, confessando duas décadas de práticas condenáveis, apresentando nomes, cargos e endereços.
corrupção tucana metrô são paulo
Blindagem tucana. Esquema de autoproteção só foi vencido por uma multinacional alemã, a Siemens, que tomou a decisão de pedir um acordo de leniência (Imagem: Revista Istoé)
Foi essa iniciativa, que envolve uma das maiores empresas do mundo, que mudou a história.
As primeiras denuncias sobre o propinoduto tucano remetem a 1998 e, como se vê, jamais foram apuradas nem investigadas como se deveria. Adormeceram em inquéritos que não esclareceram todas as provas e indícios. A imprensa nunca mostrou o mesmo apetite para explicar o que acontecia.
Se há algo realmente novo a ser apurado hoje consiste em perguntar por que havia tantos indícios e pouco se investigou, ao contrário do que se fez no mensalão petista.
Num país que hoje debate até erros e possíveis abusos ocorridos no julgamento do mensalão, que traiam a vontade de punir os acusados de qualquer maneira, ninguém irá acusar o procurador Antônio Carlos Fernandes, nem seu sucessor Roberto Gurgel nem o relator Joaquim Barbosa de fazer corpo mole, certo?
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A recíproca não é verdadeira.
Mesmo reportagens pioneiras sobre o propinoduto, como a de Gilberto Nascimento, que em 2009 mostrou tanta coisa que hoje deixa tanta gente boquiaberta em relação ao PSDB paulista, não causaram ruído nem preocupação. Neste período, denuncias parciais sobre o caso entravam e saíam dos jornais, de forma esporádica e superficial.
A situação se modificou quando ISTOÉ permaneceu duas semanas consecutivas nas bancas, com duas capas dedicadas ao assunto. As reportagens de Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sergio Pardellas trouxeram revelações importantíssimas e consolidadas sobre as entranhas do cartel de empresas que administrava o esquema.
ISTOÉ faz muito bem em lembrar, na edição que acaba de chega às bancas, a existência de dezenas de inquéritos e investigações iniciadas e encerradas sem maiores consequências. A revista mostra que ninguém pode alegar que não sabia de nada.
O dado político é simples. Se o mensalão petista tivesse sido apurado e investigado no mesmo ritmo do propinoduto tucano, que levou quinze anos para ganhar a estatura atual, apenas em 2020 teríamos uma CPI para ouvir as denúncias de Roberto Jefferson. Em vez de ser retirado à força da Casa Civil, José Dirceu quem sabe tivesse sido promovido a candidato presidencial, em 2010, e em 2013, como sonhavam tantos petistas, pudesse estar sentado na cadeira de Dilma Rousseff. Ou talvez Lula tivesse escolhido Antonio Palocci como sucessor.
Em qualquer caso, a palavra mensalão ainda não faria parte do vocabulário dos brasileiros. Joaquim Barbosa até poderia ter virado ministro do Supremo – afinal, desde a posse Lula queria colocar um ministro negro no STF – mas dificilmente teria acumulado tanta popularidade em função de um julgamento que talvez só fosse ocorrer, quem sabe, em 2027.
Seguindo nessa pequena ficção científica, também seria curioso perguntar quais, entre os líderes do PSDB, quais teriam sido levados ao banco dos réus.
Teriam direito a um julgamento isento ou teríamos aplicado a teoria do domínio do fato? Ou, a exemplo do mensalão PSDB-MG, teriam sido todos levados a um tribunal de primeira instância? Os juízes se divertiriam fazendo piadinhas sobre os tucanos e seus discursos éticos?
Basta colocar rostos e nomes nos dois escândalos para compreender que nunca teriam o mesmo desfecho, certo?
Até agora, nem a Assembléia Legislativa nem o Congresso conseguiram assinaturas para abrir uma CPI. É um recorde, quando se lembra que, entre 2005 e 2006, funcionavam três CPIs para tratar do mensalão.
O governador Geraldo Alckmin decidiu montar uma comissão para acompanhar as investigações. Imagine se Lula tivesse feito a mesma coisa, em 2005. No mínimo teria sido acusado de usar o “aparelho petista” para influenciar os trabalhos do Congresso e da Justiça, certo?
A semelhança entre os escândalos não se encontra nos personagens, nem em seus compromissos políticos.
A semelhança reside no caráter do Estado brasileiro, na sua fraqueza para se proteger de interesses privados que procuram alugar e controlar o poder político.
É um drama que está na origem do mensalão petista e ajuda a entender a prolongada e impune existência do propinoduto tucano.
Depois de ensinar que a história ocorre uma vez como tragédia e uma segunda, como farsa, Karl Marx nos lembrou que os homens não atuam sob condições ideais, que aprendem nos livros de boas maneiras nem nos cursos de civismo, mas atuam sob condições dadas, que herdaram de seus antepassados.
O discurso moralista gosta de atribuir a corrupção à falta de escrúpulos de nossos políticos, o que é uma visão ingênua e perigosa.
Não há dúvida de que pessoas inescrupulosas podem enriquecer com o dinheiro dos esquemas políticos. (Também há pessoas inescrupulosas que enriquecem na iniciativa privada, na próxima esquina, no primeiro botequim e até em aniversário de criança, vamos combinar).
Mas o dinheiro dos partidos, que circulou nos dois casos, é fruto da natureza distorcida e abrutalhada de nosso regime político, onde a democracia foi acompanhada por uma libertinagem de alta tolerância nas regras financeiras, sob medida para que o Estado pudesse ser capturado e alugado pelas potencias privadas.
Numa sociologia rápida, pode-se dizer que, com o fim da ditadura militar, a turma do alto da pirâmide passou a utilizar o sistema privado de financiamento de campanha como um contrapeso para enfrentar demandas populares.
Num regime democrático, a questão social não pode ser um caso de cadeira de dragão no DOI-CODI, não é mesmo? Tenta-se, então, amaciar o pessoal de cima.
É por isso, e não por outra coisa, que sempre se tratou com palavras de horror fingido todo esforço para regulamentar verbas de campanha e mesmo para impedir que eleitores de R$ 1 bilhão de votos pudessem se impor sobre um regime que, no papel, prevê a regra de que l homem = 1 voto.
Neste aspecto, as confissões dos executivos da Siemens contém ensinamentos úteis a todos.
Um dos mais preciosos é o diário de um gerente, que detalha as negociações para a construção da linha 5 do metrô paulista. Fica claro, ali, que as empresas privadas são senhoras da situação. Negociam acordos, partilham obras, serviços e, é claro, verbas. Interessado no metrô, uma obra mais do que necessária, tanto para a população como para seus planos políticos, o governo – o titular, na época, era Mário Covas – está reduzido a impotência absoluta.
Não tem força política para impor aquilo que a lei manda, que é a concorrência impessoal e absoluta entre as partes. Não lhe passa pela cabeça denunciar suas práticas à Justiça.
Em tempos de privatização acelerada, novidade que o PSDB ajudava a trazer ao país na época, junto com controles de gastos que proibiam qualquer gasto maior, não se cogita a possibilidade de entregar um investimento tão grandioso ao Estado.
Nessa situação o governo é forçado a ceder ao cartel de falsos concorrentes e adversários de araque, sob o risco de enfrentar ações judiciais, protestos e investigações que irão paralisar os investimentos.
É assim que o governador, chamado de “cliente” no diário, manda dizer que quer que “eles se entendam”. O “cliente” também avisa que após o acordo entre os concorrentes, irá recusar reclamações e queixas futuras.
Num artigo sobre o caso, a colunista Maria Cristina Fernandes, do Valor, recorda que, com o passar dos anos, os governos petistas também fizeram a mesma coisa, instalando no ministério dos Transportes – armazém de gastos de vulto — partidos com “notória especialização nos contratos da política.”
Essa situação cinzenta tem uma finalidade. Quer-se impedir o surgimento de novos entraves a investimentos necessários ao país.
Bobagem querer enxergar o que se passa nos bastidores com olhares simplórios do simples moralismo.
O país necessita de investimentos para criar empregos e se desenvolver. As obras de infraestrutura, como metrô, se destinam a superar uma omissão histórica. A questão é política e envolve a definição de regras que permitam a democracia brasileira recuperar sua soberania, mantendo o dinheiro dos interesses privados longe da política e dos políticos. Seu lugar é a economia e não o Estado.
Nós sabemos que a necessidade de uma reforma política é apoiada por 85% dos brasileiros. Ela pode proibir o uso de dinheiro privado no financiamento político, cortando o laço material que se encontra na origem de tudo. Um escândalo desse tamanho pode ser de grande utilidade neste debate.
Quem dizia que o debate sobre reforma eleitoral era desculpa do adversário tem a oportunidade de assumir uma postura honesta e encarar a discussão. Não se trata de uma guerra de propineiros x mensaleiros mas de um esforço para emancipar a democracia de outros interesses além da soberania popular.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

PRAGMATISMO POLÍTICO: Rachel Sheherazade é queimada em Marcha das Vadias

‘Marcha das Vadias’ sai em defesa da mulher em Campina Grande. Boneca representando a âncora Rachel Sheherazade foi queimada por manifestantes

raquel sheherazade marcha vadias
Boneca representando a apresentadora paraibana Rachel Sheherazade foi queimada durante Marcha das Vadias em Campina Grande – PB (Foto: Reprodução/Facebook)
Realizado em seu segundo ano consecutivo, o protesto denominado ‘Marcha das Vadias’ reuniu na manhã deste sábado (10) manifestantes em torno das causas feministas em Campina Grande. Reunindo mais de 200 homens, mulheres, adolescentes e crianças, a ação teve como objetivo atrair atenção para a defesa dos direitos da mulher.
Durante todo o percurso, o grupo também foi acompanhado pelo efetivo da Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), que interrompeu o fluxo de veículos nas vias em que seguia a manifestação. Pessoas que transitavam no Centro da cidade também pararam para observar ou dar apoio ao protesto.
Contra a violência doméstica, a favor da livre disposição do corpo, em defesa do aborto e ainda solicitando o julgamento do último acusado do caso que ficou conhecido como ‘estupro coletivo de Queimadas‘ (seis homens e três adolescentes já foram sentenciados), os integrantes do protesto seguiram em marcha até o encerramento da passeata na Praça da Bandeira, por volta das 12h30.
“A principal luta é pelo fim da violência contra a mulher, mas todas as pautas do movimento feminista estão incluídas e vários movimentos sociais estão aqui reunidos, para juntar toda a população em torno dessa luta”, afirmou uma das organizadoras Evellyn Lima.

Rachel Sheherazade é queimada

Manifestantes queimaram uma boneca com a imagem de Rachel Sheherazade. A apresentadora do SBT é conhecida por posições conservadoras acerca de temas como política e religião.
com informações da TV Paraíba

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PRAGMATISMO POLÍTICO

REPRODUÇÃO: BLOG PRAGMATISMO POLÍTICO

Postado em: 9 ago 2013 às 0:28

Feliciano contesta nova lei que obriga hospitais a oferecerem atendimento imediato para controle dos impactos causados pelo estupro e dá “show” de desrespeito à mulher

Nádia Lapa*
feliciano preconceito mulher
Pastor Marco Feliciano, presidente da CDHM da Câmara Federal (Foto: Agência Câmara)
Na última semana foi sancionada a lei que obriga os hospitais a oferecerem “atendimento imediato e multidisciplinar para o controle e tratamento dos impactos físicos e emocionais causados pelo estupro”. A lei prevê, entre outras medidas, a administração da pílula do dia seguinte; com a medicação, a possibilidade de gravidez decorrente do estupro diminui.
Essa parte da lei desagradou algumas entidades e políticos antiescolha, que aparentemente ignoram o fato de que a pílula já é ministrada nos hospitais de referência, assim como pode ser adquirida em qualquer farmácia.
Parece surreal que políticos e entidades sejam contrários ao atendimento multidisciplinar de vítimas de um crime bárbaro como o estupro. É surreal, na verdade. Como alguém pode ser contrário à orientação correta e segura para salvaguardar a saúde física e mental de uma vítima de tamanha agressão?
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O deputado federal Marco Feliciano é uma dessas pessoas, e tentou explicar no Twitter na noite da quinta-feira 1º o seu posicionamento. O que vimos foi um show de desrespeito à mulher, conforme as mensagens abaixo, copiadas da rede social do deputado.
1) O Palácio do Planalto esta desorientado ou muito mal intencionado. Lamento q a Pres. Dilma acabou sancionando integralmente o PLC 3/2013
(…)
8) Esse projeto alem de ser p/vitima de estupro, tbem fala de sexo sem consentimento, profilaxia da gravidez, como se gravidez fosse doença.
9) Uma mulher gravida de 2 meses dizendo ao médico q o marido fez sexo a força, ou ela ñ qria pq estava com dor de cabeça? Aborto feito!
10) não há como comprovar q o sexo foi sem consentimento… É a palavra da mulher que engravidou e pronto. Não há como provar.
11) No estupro há! Houve violência. Foi feito a denuncia imediatamente. A lei ja protege a mulher vitima de estupro. Ja há lei!
12) se estupro e sexo sem consentimento é a mesma coisa, porque o texto do projeto fala de um e outro separadamente? Engodo!
13) a lei brasileira ja contempla o aborto em caso de estupro. Eu não concordo, mas é lei. Agora ampliam para sexo sem consentimento.
Eu tive muita dificuldade de entender o que o deputado estava falando, confesso. Não me passaria pela cabeça que hoje em dia alguém defenderia publicamente a ideia de que sexo sem consentimento é diferente de estupro. Ora, esta é exatamente a definição de estupro!
Se uma das pessoas envolvidas não está conscientemente engajada na relação sexual, dando permissão para o (s) parceiro (s), ela está sendo violentada. Sexo requer consentimento. Se ele não existe, é estupro. É violência.
Feliciano fala como se o “sexo sem consentimento” fosse aquele em que não há provas da violência. O senso comum entende que a vítima de um crime sexual terá, necessariamente, de apresentar marcas de defesa pelo corpo. O estupro só é aceito como verdade se a pessoa agredida for o que chamamos de “vítima perfeita”: deve ser “de família”, não beber, ser atacada por um estranho (armado, forte), vestir-se da cabeça aos pés, reagir gritando e batendo no agressor, denunciar o crime imediatamente.
Caso algum desses itens esteja faltando, a veracidade da agressão será questionada. Falam como se fosse fácil para uma vítima de estupro procurar as autoridades competentes. Mesmo quando a vítima procura uma Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), criada justamente para casos delicados e de violência de gênero, seu caso pode ser tratado de maneira falha. Foi o que aconteceu em Niterói em março deste ano. Uma mulher registrou ocorrência de estupro ocorrido numa van, mas não houve investigação. Duas semanas depois, os mesmo estupradores atacaram uma turista americana no Rio de Janeiro. Dessa vez, com a denúncia da imprensa e a pressão popular, conseguiram prendê-los. A delegada da Deam de Niterói, Marta Dominguez, foi exonerada.
Feliciano e os que repetem seu discurso defendem que há mulheres que denunciam estupro sem terem sido estupradas, como se ir à delegacia fosse tão agradável quanto um passeio pela orla de Ipanema, água de coco na mão, com o sol se ponto atrás do Morro Dois Irmãos. Não é. Além da burocracia que todos nós conhecemos ao usar qualquer serviço público, a vítima terá de fazer exames no IML, passando pelo imenso constrangimento de tirar a roupa na frente de um estranho, em ambiente frio e cinza, deixando que outra pessoa toque um corpo já machucado (ainda que tais feridas não sejam tão aparentes assim para quem só observa sem empatia). E este é só o começo de um procedimento longo e doloroso. Definitivamente não é um passeio.
Houve quem entendesse que Feliciano defendeu, em suas postagens, que um marido não poderia estuprar a esposa, como se o consentimento estivesse explícito numa relação marital. Não seria surpreendente – muita gente acha isso mesmo. Mas, por ora, preferi entrar na minha máquina do tempo e adiantar para algum ano em que a mulher não é considerada propriedade do marido. Volto depois contando como é.
*Nádia Lapa é blogueira e escritora. (CartaCapital)

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Pragmatismo Político: Silas Malafaia intimida fiéis a não denunciarem “pastores ladrões”

Um vídeo bastante polêmico foi postado na última segunda-feira (29) no YouTube: o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, faz uma pregação intimidadora aos fiéis. Ele pede aos crentes para não denunciarem os pastores ladrões, “pois ninguém deve se meter com os ungidos de Deus”.
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“Fico vendo caras que chegaram agora ao Evangelho e ficam julgando pastores na internet”, diz Malafaia no vídeo. Para ele, quem calunia pastores não é crente. Segundo o líder religioso, a solução é trocar de igreja e não se meter com “quem é ladrão e pilantra”.
Ainda de acordo com Malafaia, quem resolve enfrentar esse tipo de religioso “vai arrumar problema para a vida”. “Meu irmão, isso é coisa muito séria, eu já vi gente morrer por causa disso. Não toma atitude contra pastor, não entra nessa furada”, prega ele no fim do vídeo. É uma ameaça ou é apenas um aviso para evitar confusão?
Assista ao vídeo:

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pragmatismo Político: Eike Batista não é mais bilionário?


O empresário Eike Batista, que até o ano passado figurou em listas internacionais como a oitava pessoa mais rica do mundo, não é mais bilionário, de acordo com o ranking da Bloomberg.
A agência estima, inclusive, que ele deve US$ 1,5 bilhão ao fundo Mubadala, de Abu Dhabi.
Pelas contas da agência, Eike já teria acumulado pelo menos R$ 2 bilhões em dívidas pessoais, o que lhe deixa agora com um patrimônio líquido de cerca de US$ 200 milhões.
O empresário chegou a alcançar fortuna de US$ 34,5 bilhões em março do ano passado. Desde então, seu dinheiro escorre no mercado, como consequência do frustrante desempenho das suas empresas.
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A desconfiança de investidores com as empresas do grupo EBX é decorrência de seguidas frustrações com a produção de petróleo da OGX, que já foi considerada o ativo mais precioso de Eike. Diante dos prejuízos registrados por suas companhias, Eike corre o risco de ter de se desfazer de parte de suas empresas.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Transexual acusa Carrefour de preconceito

FONTE: PRAGMATISMO POLÍTICO

A transexual Maria Augusta Silveira, uma das primeiras pessoas a passar por uma cirurgia de mudança de sexo no Brasil, em 1998, acusa o Carrefour de desistir da sua contratação após saber da sua condição de identidade de gênero. Guta, como é conhecida, participou de um processo seletivo para trabalhar na unidade da rede de São José do Rio Preto, cidade do interior paulista onde mora.
transexual carrefour preconceito
Transexual Maria Augusta Silveira foi uma das primeiras pessoas a passar por cirurgia de mudança de sexo no Brasil (Foto: Reprodução / Facebook)
Ela afirma ter sido aprovada no processo seletivo para trabalhar no setor de frios do supermercado, realizou exames médicos admissionais e até abriu uma conta bancária, a pedido do setor de recursos humanos do Carrefour, para que pudesse receber os pagamentos. Entretanto, quando apresentou seu histórico escolar, onde ainda constava o nome de homem, a empresa solicitou que Guta esperasse a confirmação da contratação e posteriormente a informou que a vaga já havia sido preenchida.
Ao tentar conseguir a efetivação da contratação, foi informada pelo RH do Carrefour que, assim que surgisse uma nova vaga, ela seria chamada pela empresa. Porém, no mesmo dia em que foi informada que a vaga já tinha sido preenchida, uma amiga de Guta, que trabalha no supermercado, entregou para ela um folheto que anunciava a mesma vaga para a qual ela havia se candidatado.
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Guta ainda afirma que foi chamada de “traveca” em uma conversa escutada por ela no setor de recursos humanos do Carrefour de São José do Rio Preto. “Fiquei em choque. Insisti com a moça que não tava certo, eu fiz tudo o que pude para pegar a vaga, mas ela foi irredutível. Isso acabou com meu psicológico, minha autoestima e ainda, antes disso, houve um dia em que esperava pela moça e ouvi quando alguém perguntou ‘a traveca ta esperando a fulana?’, então houve um ‘xiiiiii’, como a mandar a pessoa ficar quieta”, publicou na sua página pessoal do Facebook.
De acordo com a advogada Leandra Merighe, do Grupo de Amparo ao Doente da Aids, que possui um núcleo jurídico que presta apoio ao público LGBT, o Carrefour cometeu dois crimes no caso. O de preconceito contra a pessoa humana, previsto na Constituição, e o de discriminação trabalhista, enunciado em lei federal. A advogada está ajuizando uma ação indenizatória por danos morais contra o Carrefour.
O Carrefour informou, por meio de nota, que já se desculpou e explicou para Maria Augusta Silveira que houve um erro no processo de seleção. “Casos como este são pontuais e, assim que identificados, prontamente corrigidos”, diz a nota. A rede de supermercados afirmou também que iniciou um processo de reorientação de todos os envolvidos no caso de Guta, e demais colaboradores da unidade de São José dos Campos, para assegurar o cumprimento de suas diretrizes.
“A empresa reitera que tem uma rigorosa política de diversidade, difundida por meio de treinamento de seus 40 mil colaboradores, e repudia qualquer tipo de descriminação”, afirma o Carrefour na nota.
Revista Forum, com Terra

terça-feira, 23 de julho de 2013

Assessoria de Barbosa tenta explicar afronta à Dilma


Eduardo Guimarães, em seu blog
joaquim barbosa papa dilma
Por que Joaquim Barbosa afrontou Dilma? (Imagem: Reprodução)
Cada membro da assessoria de imprensa do ministro Joaquim Barbosa merece até o último centavo de seu salário, pois não passa um dia sem que assessorado obrigue assessores a produzirem verdadeiros malabarismos para explicar seu comportamento bizarro.
Durante a recepção ao Papa Francisco no Rio de Janeiro, enquanto este e Dilma Rousseff, lado a lado, recebiam cumprimentos de autoridades e personalidades, Barbosa cumprimentou o líder religioso e ignorou a presidente.
A falta de educação de Barbosa foi tão acintosa que até a comentarista de uma rede de televisão notou (veja o vídeo aqui). Em pouco tempo, os grandes portais de internet já comentavam a afronta do presidente do Judiciário à presidente do Executivo.
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À noite, começou a ser divulgada mais uma “explicação” da assessoria de imprensa de Barbosa para o inexplicável, como a criada quando insultou pesadamente um jornalista de O Estado de São Paulo por perguntá-lo sobre um assunto que não queria comentar.
Veja a explicação que os heroicos assessores do temperamental presidente do STF produziram:
“O ministro e várias outras autoridades ficaram com a presidente Dilma em uma sala, antes da chegada do papa e, como os dois já tinham se cumprimentado e conversado antes, provavelmente, Barbosa achou que não era o caso de cumprimentá-la novamente”
É ocioso dizer que não cola. Joaquim Barbosa pode ser um desequilibrado, mas não é burro. Sabe perfeitamente que todas as normas mais comezinhas de convivência social impõem que até adversários se cumprimentem em situações solenes. Um homem ignorar uma mulher após cumprimentar outro homem ao lado dela é só um agravante.
Se a explicação de Barbosa… Ou melhor, se a explicação da assessoria de Barbosa não cola, tampouco cola que sua atitude não tenha sido estudada. Não havia uma situação de tensão para ele agir daquela forma, fosse por descuido ou por raiva.
Por que ele seria mal-educado com uma pessoa com a qual estivera minutos antes em situação de normalidade? Aliás, o sorriso que Dilma deu a quem a maltratou no momento em que a estava maltratando e a reação de constrangimento dela em seguida mostram que não fazia a menor ideia de que algo como aquilo pudesse ocorrer.
Bem, o que o blog apurou é que andam dizendo “nos bastidores” que a razão do tratamento diferenciado de Barbosa a Dilma em privado e em público não tardará a ser conhecida. Só não foi possível descobrir que razão é essa. Mas que ela existe, garantiram que existe.
Que o resto fique para a imaginação de cada um. A minha já produziu uma teoria, mas seria leviano compartilhá-la sem maiores certezas.