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quinta-feira, 21 de março de 2013

Veiga de Alemida: Palestra aborda atendimento psicológico às vítimas de bullyng


Tema foi apresentado durante a primeira Jornada de Terapia Cognitiva Comportamental, voltada a estudantes e profissionais de Psicologia

A palestra “Atendimento às vítimas de bullyng através da Teoria Comportamental Congitiva (TCC)”, ministrada pela psicóloga Bárbara Monteiro, foi um dos temas abordados durante a abertura da primeira Jornada de TCC, promovida pelo curso de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida (UVA), em Cabo Frio. O evento, que teve início na manhã desta quinta-feira, 21, continuará à noite, a partir das 18h30, com entrada gratuita.
Bárbara lembrou que os efeitos do bullyng pisicológico podem ser mais danosos que os do físico e que a postura da vítima é determinante para que as provocações cessem. “Os pais devem ensinar a criança a se defender, porém existem formas muito mais eficazes do que a violência. A criança precisa desenvolver a habilidade de se colocar assertivamente”, alertou, acrescentando que a vítima deve ser orientada a buscar ajuda desde a primeira provocação.
Bárbara discorreu sobre ferramentas da Teoria Comportamental Cognitiva para para a terapia de crianças e adolescentes vítimas de bullyng e também agressores, como respiração diafragmática e relaxamento muscular, manejo da raiva, reestruturação cognitiva, psicoeducação para a assetividade e o treino em habilidades sociais. A psicóloga ressalta que a promoção da resiliência (que a capacidade que o indivíduo tem de voltar a ter um funcionamento psicológico saudável depois de passar por uma situação de grande estresse) deve receber atenção. A profissional enfatizou que o ideal seria que existissem políticas de prevenção ao bullyng: “a falta de ação da sociedade inerte está gerando as consequências extremas que temos acompanhado”.
Jornada
A Jornada é dividida em quatro temas, com várias palestras relacionadas: TCC com crianças e adolescentes; treino de habilidades sociais e suas aplicações; aplicações terapêuticas da TCC; e aplicações institucionais da análise do comportamento. A supervisora de TCC, professora Renata Paes, explica que o evento mostra tanto a parte teórica quanto a aplicabilidade, apresentando a pluralidade de atuação dentro da abordagem da TCC. Assim como a Psicanálise e a Gestalt, a TCC é uma abordagem usada por psicólogos na condução do tratamento terapêutico. “Atualmente, temos muito mais pesquisas com sucesso em diversos transtornos, como TOC, depressão e bullyng, utilizando a Teoria Comportamental Cognitiva”, ressaltou.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

R. S. Rose motiva estudantes de História


Durante palestra, o pesquisador falou do seu próximo livro que será lançado em 2013

    O historiador norte-americano R. S. Rose esteve pela primeira vez em Cabo Frio, nesta quarta-feira (24) para compartilhar suas experiências com um grupo atento de alunos. O evento ocorreu no auditório principal da Universidade Veiga de Almeida (UVA) e as barreiras da língua não impediram o professor de incentivar os estudantes, principalmente do curso de História, a buscar novas respostas para o passado por meio da exploração e pesquisa dos fatos.

    Compartilhando sua própria experiência, o historiador brasilianista disse que para o pesquisador encontrar “coisas novas” equivale a achar um tesouro. “A beleza da história é descobrir que algumas coisas que você acreditou a vida inteira eram falsas”, relatou, instigando a platéia: “Você acredita em tudo o que lê nos jornais? No que as autoridades falam?”. Em seguida, relatou que passou 14 meses absorto nas pesquisas sobre a Era Vargas no Rio de Janeiro, o que resultou, inclusive, no divórcio da primeira esposa. R. S. Rose foi o primeiro civil a ter acesso aos arquivos do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e durante a pesquisa descobriu que Johann Heinrich Amadeus de Graaf, que estava infiltrado no grupo comunista de Carlos Prestres, na realidade era um agente de serviço secreto da polícia britânica. As pesquisas, que duraram mais de uma década e foram realizadas em 14 países, resultaram no livro “Johnny – a vida do espião que delatou a rebelião comunista de 1935” (Editora Record), que tem como co-autor o canadense Gordon D. Scott.

    “O historiador precisa ter dedicação quase exclusiva para entender o passado e fazer a sua arte”, ressaltou, dizendo que pessoas sérias para pesquisar mais a fundo os fatos são essenciais. O historiador aposta na próxima geração de pesquisadores para esclarecer os fatos do nosso passado que ainda continuam obscuros. Para desenvolver seu trabalho, Rose disse ao governo brasileiro que pesquisaria a Era Vargas, quando na realidade se aprofundava em conhecer melhor tudo o que envolvia tortura, violência e repressão naquela época. Um pouco dessa descoberta está no livro “Uma das coisas esquecidas – Getúlio Vargas e controle social no Brasil” (Cia. das Letras, 2009).

Novidade
O cuiabano Filinto Müller, que foi chefe de Polícia do governo de Getúlio Vargas entre os anos de 1933 e 1942, é o personagem principal do próximo livro do historiador norte-americano R. S. Rose. Com o título “O homem mais perigoso do país”, o lançamento da biografia está previsto para o início de 2013, pela editora Record. Müller é mais um personagem encontrado por Rose em suas pesquisas e foi quem descobriu a identidade secreta de Johnny. Müller carrega a fama de ter sido o responsável pela deportação de Olga Benário, a companheira de Carlos Prestes, que estava grávida, para a Alemanha, em 1936. Demitido por Vargas, cinco anos depois Filinto Müller se tornou senador pelo Mato Grosso e ficou no cargo por quase três décadas, quando morreu com a esposa em um acidente aéreo (vôo 820/Varig) ocorrido em Paris, em 1973.
            Tortura, queima de arquivo e deportações marcaram a era Vargas, da qual Filinto Müller foi um dos principais agentes. Impedido de dar mais detalhes sobre a nova obra por um acordo firmado com a editora, R. S. Rose questionou a plateia: “Vocês acham que ele foi tão terrível quanto a fama de ‘diabo’ a ele atribuída?”. A resposta pode estar na próxima obra do escritor.

    Finalizando evento, R. S. Rose foi para o meio do público, onde respondeu a uma série de questionamentos. O historiador também doou à biblioteca da universidade exemplares das suas obras.