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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Artigo de Victor Viana em Observatório da Imprensa. A técnica do gato de Alice


OFÍCIO JORNALÍSTICO

A técnica do gato de Alice

Por Victor Viana em 18/06/2013 na edição 751
A simplicidade é o melhor caminho.
Uma vez entrevistei um radialista que me disse que para ser jornalista era necessário apenas cultura. Eu o interrompi e completei: “Cultura e técnica”. Sou adepto da filosofia de que um jornalista deve ser um maior leitor para ser um bom escritor, mas não concordo que apenas cultura seja suficiente. É preciso o aprimoramento diário da técnica.
Escrevo para jornais – no início como colaborador – desde a adolescência e recebia elogios pelos textos, pensava escrever muito bem mesmo. Quando entrei na Faculdade de Comunicação Social, entediado com as aulas do 1º período, onde tinha de ouvir sempre que Kotlen era “o cara” e outras coisas mais para o pessoal do marketing, fui por conta própria buscar em livros, manuais, vídeos, internet e, acima de tudo, lia jornais e revistas de todos os tipos.
Ao encontrar a técnica, ou as técnicas, comecei a achar que os meus textos anteriores eram sem pé nem cabeça. Por mais que admire a vanguarda e seja um admirador do jornalismo gonzo, penso que ainda assim o domínio da técnica de escrita jornalística, tanto para o texto noticioso quanto para o texto opinativo, é necessária. Mas mesmo diante de tanto material de estudo que busquei e ainda busco, nada me abriu mais os horizontes que o conselho que o Gato Risonho, em Alice no país das maravilhas, dá a Alice: “Comece pelo começo; vá até o fim; aí pare.”
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Victor Viana é jornalista, escritor e repórter de O Noticiário dos Lagos

Leia mais artigos desse autor  no Observatório da Imprensa http://www.observatoriodaimprensa.com.br/authors/all_author/25681/news

terça-feira, 14 de maio de 2013

Observatório da Imprensa: Twitter vem com tudo para Copa de 2014


A agência Reuters de notícias anunciou (10/5) em detalhes a intenção do Twitter investir pesado nos jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016 no Brasil. O jornal Folha de S. Paulo, no mesmo dia, publicou uma tradução reduzida e acanhada do original, e não publicou todos os elogios que Adam Bain, gerente de rendas do Twitter, fez aos avanços do nosso país nos últimos anos. Nem detalhou a fundo a estratégia do Twitter para penetrar no marketing nacional e monetizar seus investimentos. A expansão dos smartphones no Brasil é um dos principais atrativos do microblog no país. Além das parcerias com a TV e de sua popularidade entre os brasileiros.
O Twitter vê o Brasil com muito bons olhos e vem trabalhando consistentemente no país não só de olho nos sonhados lucros, mas porque faz parte de sua estratégia de crescimento incluir nosso país através de parcerias com negócios, anunciantes e mídias locais. Temos o terceiro maior universo de usuários do microblog no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. O país que tem uma população que abraçou as redes sociais “com zelo quase religioso”, apesar da estagnação do crescimento econômico de 2012, continua prioritário para os executivos do microblog: “Alguns de nossos acordos mais estratégicos que assinamos com o pessoal do marketing são acordos globais que temos assinado por anos; muitos deles incluem trabalho que eles querem fazer aqui no Brasil durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, disse Bain.
O desafio não é tanto explicar aos anunciantes “por que devem incorporar a plataforma do Twitter em suas estratégias de marketing, mas mostrar-lhes como fazê-lo”, explicou Bain. A principal fonte de rendas do Twitter são as postagens pagas que circulam entre os tweets dos usuários.
O microblog vem para a Copa atraído pelo tamanho de nossa população, pela baixa penetração da internet no país, e pela expansão imensa dos smartphones, informou a Reuters. O site do diário O Globo(20/2) confirmou o interesse do microblog em parcerias com fabricantes de smartphones e operadoras de serviços para celulares, para garantir a presença do Twitter em cada celular independente do cliente ter ou não um plano de dados.
“Gente viciada em novela e futebol”
Do ponto de vista da observação sistemática da mídia, o fenômeno mais interessante sem dúvida será a interação entre o Twitter, a TV brasileira e o poder que esta tem sobre o povo brasileiro. O Twitter, experiente em participação de Jogos Olímpicos desde a última Olimpíada em Londres, acabou mal na Inglaterra graças a uma parceria com a NBC. Uma conta de jornalista foi censurada pelo Twitter por pressão da rede americana. O fato já comentado por mim na edição 727 deste Observatório. A Copa do Mundo vai representar uma segunda chance para o microblog testar seu sistema de parceria com emissoras de TV.
Não é só o Brasil que precisa melhorar infraestrutura e tecnologia. O Twitter ficou muito desgastado quando foi mais uma vez invadido no mês passado. A conta da AFP foi arrombada, desta vez por um grupo autodenominado “Exército Eletrônico Sírio” [Syrian Electronic Army], que anunciou que o presidente Obama estava ferido em meio a explosões. A RTP Notícias, de Portugal (24/04) publicou a matéria. O dano provocado pela desinformação foi o equivalente informacional das bombas de Boston. Wall Street tremeu em proporções quase sísmicas. Ninguém garante que o Twitter não vá ter que enfrentar o ciberterrorismo novamente. Vamos nos prevenir para que não aconteça em nosso solo. E o Twitter vai ter que melhorar muito a segurança nos acessos e fazer uma faxina geral em todo o universo de usuários.
O grande problema que tanto o Twitter quanto o Facebook vão enfrentar de imediato é a limitada margem de lucros, avisou o semanário digital AdAge Digital (28/02). De fato, os lucros estarão restringidos ao “ainda jovem mercado de publicidade digital” do Brasil. A força da televisão nos eventos esportivos no Brasil também compete com a mídia social em geral “numa terra de gente viciada em novela e futebol”, comentou o site. De fato, o poder da televisão no Brasil é muito grande dentro do país. Por isso o Twitter, que insiste em dizer que “não é companhia de mídia”, elaborou estratégia para parcerias com a televisão. Eles acreditam que podem fazer muito dinheiro aqui. E estão certos: o Twitter é novo no Brasil e tem muito espaço para crescer numa terra que o adotou com entusiasmo.
Fé na economia
A fala do executivo do Twitter revela uma confiança grande no futuro do Brasil. Adam Bain considera o Brasil “a maior oportunidade que nós vemos na América Latina e francamente entre todos os outros mercados”. Uma afirmação desta não pode escapar aos olhos de um tradutor. O Brasil é crucial para o Twitter em sua estratégia de crescimento. A Folha também deixou de registrar isso. Talvez por falta de espaço editorial. Não houve espaço para muito para aprofundamento e exploração de certos detalhes essenciais da notícia.
A matéria da Folha de S.Paulo não foi bem com sua tradução burocrática da Reuters que não conseguir transmitir ao leitor todo o entusiasmo e a confiança explícita do diretor-geral de receitas do microblog na economia brasileira. O Twitter parece acreditar nela sem receio ou indecisão.
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Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor