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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Brasil: Pra você entender que #somostodosmacacos não é maneiro


 A foto da esquerda todo mundo viu. É o craque Neymar com seu filho no colo e duas bananas, em apoio a Daniel Alves e em repulsa ao racismo no mundo do futebol.
Já a foto à direita, é do pigmeu Ota Benga, que ficou em exibição junto a macacos no zoológico do Bronx, Nova York, em 1906. Ota foi levado do Congo para Nova York e sua exibição em um zoológico americano serviu como um exemplo do que os cientistas da época proclamaram ser uma raça evolucionária inferior ao ser humano. A história de Ota serviu para inflamar crenças sobre a supremacia racial ariana defendida por Hitler. Sua história é contada no documentário “The Human Zoo”.
A comparação entre negros e macacos é racista em sua essência. No entanto muitos não compreendem a gravidade da utilização da figura do macaco como uma ofensa, um insulto aos negros.
Encontrei essa forte história num artigo sensacional que li dia desses, e que também trazia reflexões de James Bradley, professor de História da Medicina na Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele escreveu um texto com o título “O macaco como insulto: uma curta história de uma ideia racista”. Termina o artigo dizendo que “O sistema educacional não faz o suficiente para nos educar sobre a ciência ou a história do ser humano, porque se o fizesse, nós viveríamos o desaparecimento do uso do macaco como insulto.”
Não, querido Neymar. Não somos todos macacos. Ao menos não para efeito de fazer uso dessa expressão ou ideia como ferramenta de combate ao racismo.
Mas é bom separar: Uma coisa é a reação de Daniel Alves ao comer a banana jogada ao campo, num evidente e corriqueiro ato racista por parte da torcida; outra coisa é a campanha de apoio a Daniel e de denúncia ao racismo, promovida por Neymar.
No Brasil, a maioria dos jogadores de futebol advém de camadas mais pobres. Embora isso esteja mudando – porque o futebol mudou, ainda é assim. Dentre esses, a maioria dos que atingem grande sucesso são negros. Por buscarem o sonho de vencer na carreira desde cedo, pouco estudam. Os “fora de série” são descobertos cada vez mais cedo e depois de alçados à condição de estrelas vivem um mundo à parte, numa bolha. Poucos foram ou são aqueles que conseguem combinar genialidade esportiva e alguma coisa na cabeça. E quando o assunto é racismo, a tendência é piorar.
E Daniel comeu a banana! Ironia? Forma de protesto? Inteligência? Ora, ele mesmo respondeu na entrevista seguida ao jogo:
“Tem que ser assim! Não vamos mudar. Há 11 anos convivo com a mesma coisa na Espanha. Temos que rir desses retardados.”
É uma postura. Não há o que interpretar. Ele elaborou uma reação objetiva ao racismo: Vamos ignorar e rir!
Há um provérbio africano que diz: “Cada um vê o sol do meio dia a partir da janela de sua casa”. Do lugar de onde Daniel fala, do estrelato esportivo, dos ganhos milionários, da vida feita na Europa, da titularidade na seleção brasileira de futebol, para ele, isso é o melhor – e mais confortável, a se fazer: ignorar e rir. Vamos fazer piada! Vamos olhar para esses idiotas racistas e dizer: sou rico, seu babaca! Sou famoso! Tenho 5 Ferraris, idiota! Pode jogar bananas à vontade!
O racismo os incomoda. E os atinge. Mas de que maneira? Afinal, são ricos! E há quem diga que “enriqueceu, tá resolvido” ou que “problema é de classe”! O elemento econômico suaviza o efeito do racismo, mas não o anula. Nesse sentido, os racistas e as bananas prestam um serviço: Lembram a esses meninos que eles são negros e que o dinheiro e a fama não os tornam brancos!
Daniel Alves, Neymar, Dante, Balotelli e outros tantos jogadores de alto nível e salários pouca chance terão de ser confundidos com um assaltante e de ficar presos alguns dias como no caso do ator Vinícius; pouco provavelmente serão desaparecidos, depois de torturados e mortos, como foi Amarildo; nada indica que possam ter seus corpos arrastados por um carro da polícia como foi Cláudia ou ainda, não terão que correr da polícia e acabar sem vida com seus corpos jogados em uma creche qualquer. Apesar das bananas, dificilmente serão tratados como animais, ao buscarem vida digna como refugiados em algum país cordial, de franca democracia racial, assim como as centenas de Haitianos o fazem no Acre e em São Paulo.
O racismo não os atinge dessa maneira. Mas os atinge. E sua reação é proporcional. Cabe a nós dizer que sua reação não nos serve! Não será possível para nós, negras e negros brasileiros e de todo o mundo, que não tivemos o talento (ou sorte?) para o  estrelato, comer a banana de dinamite, ou chupar as balas dos fuzis, ou descascar a bainha das facas. Cabe a nós parafrasear Daniel, na invertida: “Não tem que ser assim! Nós precisamos mudar! Convivemos há 500 anos com a mesma coisa no Brasil. Temos que acabar com esses racistas retardados, especialmente os de farda e gravata”.
Quanto a Neymar, ele é bom de bola. E como quase todo gênio da bola, superacumula inteligência na ponta dos pés. Pousa com seu filho louro, sem saber que por ser louro, mesmo que se pendure num cacho de bananas, jamais será chamado de macaco. A ofensa, nesse caso, não fará sentido. Mas pensemos: sua maneira de rechaçar o racismo foi uma jogada de marketing ou apenas boa vontade? Seja o que for, não nos serve.
Sou negro, nascido em um país onde a violência e a pobreza são pressupostos para a vida da maior parte da população, que é negra. Querido Neymar – mas não: Luciano Hulk, Angélica, Reinaldo Azevedo, Aécio Neves, Dilma Rousseff, artistas e a imprensa que, de maneira geral, exaltou o “devorar da banana” e agora compartilham fotos empunhando a saborosa fruta, neste país, assim como em todo o mundo, a comparação de uma pessoa negra a um macaco é algo culturalmente ofensivo.
Eu como negro, não admito. Banana não é arma e tampouco serve como símbolo de luta contra o racismo. Ao contrário, o reafirma na medida em que relaciona o alvo a um macaco e principalmente na medida em que simplifica, desqualifica e pior, humoriza o debate sobre racismo no Brasil e no mundo.
O racismo é algo muito sério. Vivemos no Brasil uma escalada assombrosa da violência racista. Esse tipo de postura e reação despolitizadas e alienantes de esportistas, artistas, formadores de opinião e governantes tem um objetivo certo: escamotear seu real significado do racismo que gera desde bananas em campo de futebol até o genocídio negro que continua em todo o mundo.
Eu adoro banana. Aqui em casa nunca falta. E acho os macacos bichos incríveis, inteligentes e fortes. Adoro o filme Planeta dos Macacos e sempre que assisto, especialmente o primeiro, imagino o quanto os seres humanos merecem castigo parecido. Viemos deles e a história da evolução da espécie é linda. Mas se é para associar a origens, por que não dizer que #SomosTodosNegros ? Porque não dizer #SomosTodosDeÁfrica ? Porque não lembrar que é de África que viemos, todos e de todas as cores? E que por isso o racismo, em todas as suas formas, é uma estupidez incompatível com a própria evolução humana? E, se somos, por que nos tratamos assim?
Mas não. E seguem vocês, “olhando pra cá, curiosos, é lógico. Não, não é não, não é o zoológico”.
Portanto, nada de bananas, nada de macacos, por favor!














"Racismo não se combate com protesto idiota. O Racismo subjuga, extermina pessoas e grupos sociais nos quais eu to incluso. Você acha que protesto de rede social vai abrandar isso? Você acha que a banana jogada pro jogador de futebol é a arma mais violenta da prática racista? Vem cá, em que Mundo você está?#nãosoumacacoporranenhuma"



"Eu não sou macaco, porra! Que porra é essa de um monte de gente aparecer com banana e dizer que somos todos iguais? Manda a Polícia Militar jogar banana nos jovens pretos. Quem sabe a estatísca da mortandade diminua. Vamos tratar o assunto seriamente ou o que? Não f@&e!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"

"Bom dia... Não se combate racismo usando pretos famosos e criando virais de internet. Isso é marketing pra novo formato de programa tosco de tv e propaganda pra eventos em que esses indivíduos irão participar, tá ligado?#nãosoumacacoporrranenhuma"




"Esse monte de foto de negros famosos comendo banana me faz lembrar apenas de Frantz Fanon... quando diz em "Pele Negra, Máscaras Brancas" que os filmes que chegavam na França mostravam "negros do tipo: y’a bon banania" , ou seja, negros com " um sorriso estereotipado e um tanto quanto abestalhado, reforço ao racismo difuso dominante".

Desculpem-me aqueles que acham que isso é protesto, pois eu só vejo nessa atitude um reforço ao racismo."



"Acho que eu também posso me posicionar em relação ao lance dos artistas negros - alguns brancos- segurando uma banana e dizendo" somos todos macacos". Uma atitude como essa não causa nenhum efeito contra o racismo, na verdade, ao fazer graça, o eleva. A realidade é de que não somos tratados como iguais então a abordagem para mudar isso não passa por, na verdade fico até sem conseguir argumentar claramente sobre uma atitude tão sem proposito e constrangedora."




Clique nos nomes e siga o que eles comentam no facebook. 
Gostaria de colocar mais manifestações deste tipo, mas no facebook hoje ta difícil. Mande o que você pensa sobre isso para blogaodoslagos@hotmail.com.

;)

por Camila Raupp
editora

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Artigo de Victor Viana em Observatório da Imprensa. A técnica do gato de Alice


OFÍCIO JORNALÍSTICO

A técnica do gato de Alice

Por Victor Viana em 18/06/2013 na edição 751
A simplicidade é o melhor caminho.
Uma vez entrevistei um radialista que me disse que para ser jornalista era necessário apenas cultura. Eu o interrompi e completei: “Cultura e técnica”. Sou adepto da filosofia de que um jornalista deve ser um maior leitor para ser um bom escritor, mas não concordo que apenas cultura seja suficiente. É preciso o aprimoramento diário da técnica.
Escrevo para jornais – no início como colaborador – desde a adolescência e recebia elogios pelos textos, pensava escrever muito bem mesmo. Quando entrei na Faculdade de Comunicação Social, entediado com as aulas do 1º período, onde tinha de ouvir sempre que Kotlen era “o cara” e outras coisas mais para o pessoal do marketing, fui por conta própria buscar em livros, manuais, vídeos, internet e, acima de tudo, lia jornais e revistas de todos os tipos.
Ao encontrar a técnica, ou as técnicas, comecei a achar que os meus textos anteriores eram sem pé nem cabeça. Por mais que admire a vanguarda e seja um admirador do jornalismo gonzo, penso que ainda assim o domínio da técnica de escrita jornalística, tanto para o texto noticioso quanto para o texto opinativo, é necessária. Mas mesmo diante de tanto material de estudo que busquei e ainda busco, nada me abriu mais os horizontes que o conselho que o Gato Risonho, em Alice no país das maravilhas, dá a Alice: “Comece pelo começo; vá até o fim; aí pare.”
***
Victor Viana é jornalista, escritor e repórter de O Noticiário dos Lagos

Leia mais artigos desse autor  no Observatório da Imprensa http://www.observatoriodaimprensa.com.br/authors/all_author/25681/news

terça-feira, 4 de junho de 2013

Registro Policial - Noticiário dos Lagos 04/06


por Victor Viana
Noticiário dos Lagos/ 04-06-13 ( Fragmento) 

Mandato de prisão no Morro do Limão

Polícia Militar prendeu, cumprindo mandato de prisão preventiva, Israel de Souza, 18 anos, na comunidade do Morro do Limão, bairro Jardim Esperança, em Cabo Frio. Israel é acusado de homicídio.

Jovens tentam fugir da Polícia e são detidos com drogas na Vila do Ar

Policiais militares, durante patrulha de rotina, na Rua São Jorge, na Vila do Ar, em Cabo Frio, detiveram dois jovens que correram ao ver a viatura. Na fuga tentaram se desfazer de 20cápsulas de cocaína, mas foram alcançados pelos policiais, um menor de idade e José Carlos Souza dos Santos, 18 anos.  O caso registrado na 126ª DP (Cabo Frio) o menor ouvido como testemunha e liberado. José Carlos autuado e preso por tráfico de drogas.

Uma espingarda é apreendida em Iguaba Grande

A Polícia Militar apreendeu em Iguaba Grande, após denuncia via 190, uma espingarda calibre 36. A arma estava em posse de um homem conhecido como Zequinha, acusado de ter ameaçado um homem de 55 anos. O caso foi registrado na 129ª DP (Iguaba) e os envolvidos prestaram esclarecimentos.

Drogas apreendidas no Monte Alegre, em Cabo Frio

Policiais militares, em incursão a pé, avistaram cinco suspeitos na Rua Márcio Cardoso da Fonseca, bairro Monte Alegre, em Cabo Frio.  Alguns deles conseguiram fugir deixando para trás 54 cápsulas e um sacolé de cocaína. 44 trouxinhas e dois tabletes de maconha, além de 30 pedras de crack e 18 comprimidos de ecstasy. O único suspeito preso foi Wilton Batista, conhecido como Kiko, de 30 anos. Caso registrado na 126ª DP (Cabo Frio).

Dois adolescentes apreendidos por tráfico em São Pedro da Aldeia

No bairro Morro dos Milagres, em São Pedro da Aldeia, a Polícia Militar aprendeu três cápsulas de cocaína, cinco pedras de crack, 10 trouxinhas de maconha e R$310,00 em dinheiro que estavam em posse de três menores, todos com 17 anos. O caso registrado na 125ª DP (São Pedro da Aldeia) onde todos foram apreendidos.

Jovem bate com sua BMW. No carro foram encontrados ecstasy

Um jovem, após discussão de transito, saiu em alta velocidade em uma BMW ( DSW 3565)  pelo bairro Portinho, em Cabo Frio, onde bateu com o carro no muro de uma casa na Rua Alice Torres. Os Policiais militares chegaram ao local e encontraram no interior do carro dois comprimidos de ecstasy. O motorista foi encaminhado á 126ª DP ( cabo Frio ) e autuado como usuário e em seguida liberado.


sábado, 1 de junho de 2013

Contra a cultura do estupro - Marcha das Vadias: Por Victor Viana

  
Recorte de Manchete/ Por Victor Viana/ em o Noticiário dos Lagos 
A ignorância e a violência

Por Victor Viana +victor viana  @VianaBuzios 


Noticiário dos Lagos/ Edição 902/ 2013/ 
Os casos de estupro de mulheres, que começa a se tornar uma discussão mais frequente e feita de forma mais aberta no Brasil, é um mal cultural que assola a humanidade desde tempos imemoriais.   Uma sociedade patriarcal centrada em moralismos excludentes, que visa à manutenção do machismo e da dominação feminina, é o alicerce da ignorância. E a ignorância gera violência.   O remédio conta a ignorância é a informação e o conhecimento. Esse é o objetivo da serie de reportagens, entrevistas e notícias que publico em diversos veículos de comunicação. 

Publicado em O Perú Molhado/ 11-05-2013/ Marise Egger  
O Perú Molhado/ Maio de 2013 / Marcha das Vadias 




































A mulher é o negro do mundo Vídeo onde John Lennon canta "Woman Is The Nigger Of The Word" - A Mulher é o Negro do Mundo - do Album Plastic Ono Band de 1970

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Búzios: O menino do Guarda-chuva de volta às livrarias



O jornalista e escritor Victor Viana relança seu livro "O menino do Guarda-chuva".

Os interessados em adquirir o livro entrar em contato pelo 2623-2359 ou pelo e-mail blogaodoslagos@hotmail.com

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Aniversário do nosso repórter mais querido, fundador do Blogão - Victor Viana


 O Victor Viana é um vencedor. Tudo que ele traça, com muita garra ele empreende e realiza. Assim foi em toda a sua vida e até aqui.
 Jornalista, escritor, poeta, amigo.
O Victor é um daqueles caras que dá gosto de ficar perto.
Inteligente, pouco assunto ele não domina.
Um cara legal.
 Um pai exemplar.
Quem convive sabe, que por esses dois ele faz qualquer sacrifício.
Já fez muitos. E eles são os fãs número um do papai.
Serão homens de bem!
 Sorte é ter uma família e uma estrutura. Esperar até meia noite só para cantar parabéns.
Assim somos nós.
Presença especial do Chitão e da Roberta direto de Canoas no Rio Grande do Sul.

Parabéns Victor.
O Blogão dos Lagos te deseja tudo de melhor!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

ENTREVISTA: Bernard Bourgeois, um artista belga em Búzios.


Bernard Bourgeois
O Jornal A Raza teve a honra de entrevistar o fotógrafo belga, que mora há dois anos na Raza, Bernard Bourgeois: Junto com sua esposa, a mineira Sandra Penna, nos encontrou com muita simpatia na Padaria Golden Bread no Porto da Barra.

Jornal A Raza: O Senhor é um fotografo reconhecido internacionalmente, ganhador de diversos prêmios, um cidadão do mundo. O que o trouxe ao Brasil e a Búzios?
Bernard Bourgeois: Búzios é vida. Quando decidimos deixar Belo Horizonte, a primeira coisa que minha esposa pensou foi vir morar em Búzios, ela sempre amou Búzios. Viemos e decidimos ficar e estamos aqui há dois anos.

Jornal A Raza: Sentiram muita diferença de Belo Horizonte para Búzios?
Bernard Bourgeois: É bem diferente, Belo Horizonte é uma cidade grande, e Búzios é bem menor. Quando você é um estrangeiro em Belo Horizonte, você é próximo do brasileiro, quando você é um estrangeiro em Búzios, você é um turista traz dinheiro, bem mais difícil de encontrar pessoas e fazer amigos.
Jornal A Raza: Morando em Búzios o senhor se sente como um estrangeiro que está muito longe da sua cultura, ou o fato de outros estrangeiros morarem aqui ameniza essa distância?
Bernard Bourgeois: Sinto-me mais próximo dos brasileiros do que dos estrangeiros, gosto muito mais dos brasileiros, acho que os brasileiros são pessoas muito boas, simpáticas até 33 graus, acima de 33 graus e nas ruas e nas estradas elas deixam de ser simpáticos. (risos)

Jornal A Raza: O que exatamente te fez vir para o Brasil e permanecer?
Bernard Bourgeois: Na minha vida eu viajei muito, a trabalho e a diversão. Sempre gostei de mudar, de deixar a Europa. A Europa pode parecer, vista daqui, um Paraiso.  Mas na verdade é muito difícil para uma pessoa que não é um conformista.

Jornal A Raza: Você tem vontade de retornar para a Europa, ou pretende viver sua vida no Brasil ou em outro país?
Bernard Bourgeois: Eu preciso voltar a Europa três vezes ao ano, porque sou professor. Mas pretendo passar a minha vida com a minha esposa em Búzios.

Jornal A Raza: Você se considera um artista?
Bernard Bourgeois: Na história um artista já foi um artesão, ou melhor, o artesão se tornou um artista. Hoje é um pouco diferente, você tem um artesão fotográfico e você tem um artista fotográfico. Eu sou um artesão, não sou um artista, eu preciso estudar, preciso trabalhar, eu preciso aprender a cada dia as novas técnicas para fazer o melhor do trabalho.

Jornal A Raza: Mas o senhor concorda que suas fotografias tem um diferencial muito grande em relação à produção fotográfica comum?
 Bernard Bourgeois: Eu não tinha percebido isso, até que minha esposa e depois o meu filho disseram que eu faço mais que um fotógrafo comum. Como fotógrafo presto um serviço, um negócio como todas as pessoas daqui.  Posso trabalhar para uma pousada, posso trabalhar para uma lanchonete, um casamento, um book. Penso que é importante fazer o melhor trabalho para as pessoas.

Jornal A Raza: O que o senhor acha hoje do photoshop, o  senhor acha que é um recurso ou um vilão?
Bernard Bourgeois: Sem photoshop hoje não teria como ser fotógrafo.  Fui fotógrafo quando jovem, não existia photoshop e eu ganhei o primeiro prêmio para um concurso muito importante na época. Fiz exposições na Alemanha, na Bélgica, França.  Gosto muito de trabalhar no laboratório, gostaria de fazer como na antiga fotografia. Eu continuei a tirar retratos, porque ganhei uma boa reputação para fazer retratos de pessoas, foi muito importante e depois a fotografia mudou muito. Primeiro foi uma técnica, depois ela foi química e agora se torna eletrônica.   Descobri com o Photoshop uma ferramenta, eu conseguia fazer coisas que eu quis por toda minha vida: desenhar, pintar e que eu não podia fazer porque não tenho esse talento, não tenho “mão”, com o photoshop temos o cérebro e me adaptei bem ao programa.

Jornal A Raza: Chegou a trabalhar como repórter fotográfico?
Bernard Bourgeois: Não. Trabalhei com jornalismo, mas como editor.  Ser fotógrafo e ser repórter fotográfico são coisas diferentes. Eu ganhei um premio importante na França que fica no museu de arquitetura - d’Orsay - em Paris.

 Jornal A Raza: Quem o senhor admira como fotógrafo no Brasil? Bernard Bourgeois: No Brasil Sebastião Salgado, porque no Brasil eu senti que a arte é elitista. A obra dele é muito acessível ao público, é uma arte que faz as pessoas pensarem e ficarem felizes.

Jornal A Raza: Podemos observar em suas fotos atuais que o senhor tem se preocupado em fotografar o cotidiano buziano, o povo.  
Bernard Bourgeois: Sim, eu gosto. Eu recebi um prêmio de amigo do povo de Búzios. Eu tirei uma foto na colônia dos pescadores de um pescador de 83 anos que ganhou a corrida de remo na Festa de São Pedro e dei para o seu filho, esse pai chorou quando recebeu a foto, pois foi o registro de sua vida magnifica.

Jornal A Raza: Gostaríamos de aproveitar agora e entrar na parte do senhor como admirador da poesia, já que sua fotografia tem tanta expressão poética. Sabemos que o senhor gosta de poesias e que tem uma frase interessante em que diz que um homem pode tirar uma foto com o celular, fazer um poema precisa um pouco mais, precisa de cérebro, coração ou barriga.
Bernard Bourgeois: Sim, acho que falei mal no português ( risos). Eu quis dizer que muitas pessoas gostam do que eu escrevo. São amigas como Cristiana Guinle, que vocês conhecem, são pessoas que falam bem dos meus poemas, que são intelectuais. Quando você tem amigos que de verdade são artistas isso me faz pensar, mas eu não procurei isso. Sou amigo do Jaguar também. Algumas pessoas me perguntam; como você é amigo do Jaguar? Tenho muito rede muito boa de amigos. Mas minha esposa é uma grande poetisa. Mas eu não posso escrever em português, é muito difícil, meus poemas são fotográficos.

Jornal A Raza: O senhor é sempre tão modesto?
Bernard Bourgeois: Há um mês recebi mensagens muito estranhas, como se eu fosse um jogador de futebol famoso (Risos). Recebi poema de mulher, poema de homem e frases que minha esposa não gostou, dizendo sobre minhas fotos serem poemas e que transmitem uma mensagem de paz.

Bernard Bourgeois e Victor Viana 
Jornal A Raza: O senhor tem alguma exposição de sua obra agendada na cidade?
Bernard Bourgeois: Sim, na próxima semana vamos fazer uma exibição na galeria do Vilmar Madruga – Porto da Barra- será a minha primeira exposição aqui. Vamos fazer uma exposição como artesão e como artista. Com os barcos, as flores e as praias de Búzios.

Jornal A Raza: O senhor disse que vai a Europa três vezes ao ano porque é professor, o senhor leciona que matéria na Europa?
Bernard Bourgeois: Muito diferente do que faço aqui, lá vou falar de comunicação.

Jornal A Raza: O senhor trabalha lá dando aula em faculdade, instituto...
Bernard Bourgeois: Na verdade antes fui professor de direito. Na Bélgica hoje sou professor de um sindicato, para pessoas que vão se tornar dirigentes de sindicato e empresas.

Jornal A Raza:  O senhor falou que tem filhos, são brasileiros?
Bernard Bourgeois: Não, são europeus. Tenho dois filhos, o primeiro vai trabalhar no Peru, em uma ONG, vai coordenar atividades escolares de mil crianças de rua com sua esposa. O segundo tornou-se fotógrafo, vai morar na França e trabalhar lá. Acho que será muito difícil. Manter-se como fotografo não é fácil em qualquer lugar do mundo.

Jornal A Raza: O que você acha dos paparazzi?
Bernard Bourgeois: São vigaristas. Li uma tese em que dizia que o tempo durante a foto da atualidade tem um valor e uma foto de um evento de pessoas tem outro. Porque as pessoas acham que você não trabalhou, posso trabalhar numa foto seis meses e um paparazzi dois minutos, mas as pessoas dão mais valor ao trabalho do paparazzi. É quase impossível de explicar um trabalho importante. Uma foto minha tem um valor, e o material fotográfico custa muito caro, No Brasil tem IPI, e quando você vai vender uma foto você não tem IPI, é quase impossível viver da fotografia, é muito caro.

Jornal A Raza: O que  o senhor acha do Brasil?
Bernard Bourgeois: Um lugar maravilhoso, mas  os brasileiros zombam demais de seus políticos, zombam demais de seu país. Você pode até falar de um problema, pode publicar o problema em um jornal, é muito importante, mas também precisa mostrar a solução. Eu gostaria de ver um Brasil mais orgulhoso de ser brasileiro.

Jornal A Raza: Quais são seus planos para o futuro aqui e no mundo?
Bernard Bourgeois: Tem um problema que você fala muito bem, uma questão do índice de reconhecimento do trabalho, para conseguir se tornar um profissional. Se eu conseguir vou continuar a trabalhar com fotos. Em 15 dias recebi duas propostas de entrevista, um programa de  rádio, e um programa de televisão, uma proposta para ser palestrante. No momento  preciso tornar a minha profissão um negócio, porque precisamos comprar novas maquinas, novos programas, porque a técnica esta mudando, eu gostaria também de trabalhar como professor, mas existe a barreira do idioma.


Um dos trabalhos de Bernard - orla Bardot

Jornal A Raza: O senhor é morador da Raza. Conhece a historia dessa região tão importante da cidade de Búzios?
Bernard Bourgeois: A Raza é o coração de Búzios e as pessoas não sabem. Não sei se eu entendi bem, eu entendi que existe um desejo de emancipação de diferentes bairros, eu entendi que a Maria Joaquina gostaria de se emancipar de Cabo Frio,  porque é um bairro abandonado. Na historia da cidade eu vi que Búzios – inclusive vi em fotos antigas no jornal de vocês- onde diz só Búzios sem Tamoios. É preciso que se descubra rápido como fazer para guardar suas raízes. Sobre isso tenho muito a elogiar o jornal A Raza, na Europa como aqui, as pessoas gostam de jornais que mostrem desgraças, imagino que seja difícil fazer um jornalismo como o que vocês estão fazendo. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Curinga de Búzios: Informação sem chateação


A aldeia de Búzios: A fundação.



José Ninguém  - fundador do Búzios -  ignorava por completo a geografia da região. Sabia que para o Oriente estava a serra impenetrável, e do outro lado da serra a antiga cidade do Cabo Frio, onde em épocas passadas - segundo lhe havia contado o primeiro José Ninguém  seu avô - Sir Francis Drake era dado ao esporte de caçar jacarés a tiros de canhão. Os bichos eram depois remendados, recheados de palha e mandados para Dom João, em Portugal.

Na sua juventude, ele e seus homens, com mulheres e crianças e animais e toda espécie de utensílios domésticos, atravessaram a serra procurando uma saída para o mar, e ao fim de vinte e seis meses desistiram da empresa e fundaram Búzios, para não ter que empreender o caminho de volta. Era, pois, uma rota que não lhe interessava, porque só podia conduzi-lo ao passado.

Ao Sul estavam os charcos cobertos de uma eterna nata vegetal, e o vasto universo do grande pantanal, que, segundo testemunho dos ciganos, carecia de limites. O grande pantanal se confundia ao Ocidente com uma extensão aquática sem horizontes, onde havia cetáceos de pele delicada, cabeça e torso de mulher, que perdiam os navegantes com o feitiço das suas tetas descomunais.

 Os ciganos navegavam seis meses por essa rota antes de alcançar a faixa de terra firme por onde passavam as mulas do correio. De acordo com os cálculos de José Ninguém, a única possibilidade de contato com a civilização era a rota do Norte. De modo que dotou de foices, facões e armas de caça os mesmos homens que o acompanharam na fundação de Búzios; pôs numa mochila os seus instrumentos de orientação e os seus mapas, e empreendeu a temerária aventura.

Texto adaptado do classico 100 anos de solidão de Gabriel Garcia Marques 

domingo, 2 de dezembro de 2012

CRÔNICA DE FIM DE DOMINGO - por Victor Viana


O Amor pelo Fluminense

Simbolo sagrado 
Eu nunca fui um garoto que me importei com o futebol.  Sofri um pouco com isso na infância, porque nessa idade um menino que não joga ou nem mesmo sabe sobre futebol é bem zoado - ou ao menos era- mas um dia eu cresci. Já adolescente eu tinha opinião suficiente para estar cagando e andando para o futebol e quem quer que não entendesse   minha falta de  interesse  em  jogar e  saber sobre isso.  Voluntariamente vivi alheio a esse esporte.  Não me atrapalhou em nada na vida, ta ai uma coisa que não me fez falta. Mas de repente cresci mais e mais...me tornei um homem, me casei e tive filhos.  Meu irmão mais novo foi quem de repente passou a gostar muito de futebol, meu irmão do meio também não teve muito interesse por esse esporte. O Vinícios foi  usando uma camiseta de um time e de outro time até que  meu pai o presenteou com uma camisa do Fluminense. Acho que até ali ele nunca havia reparado que esse era o time do meu pai. O Vinicios começou uma verdadeira cruzada para que todos assistissem o jogo com ele.  De repente senti o sinal que a vida estava dando e fui ao guarda roupas e retirei uma camisa velha - porem oficial - que meu pai me dera e que eu nunca usará- do fluminense!

Assim começou uma das maiores comoções de nossa família; os jogos do Fluminense.  Simplesmente tornou-se nossa identidade; uma família de tricolores! Meu pai sempre conta a mesma historia, e nos fingimos que nunca ouvimos antes,  de que ele é tricolor dês de 1964. Eu continuo entendendo bem pouco sobre as regras menos básicas do jogo, e confesso que deixo de assistir  vários jogos e se o Vinicios não me conta não saberia exatamente nossa colocação nos campeonatos.  Mas vocês precisam ver um jogo do Fluminense quando estamos todos - tem sido pela velocidade do tempo cada vez mais difícil- juntos em frente a TV na hora em que o Flu está em campo. Meu pai senta-se em sua própria cadeira ou poltrona, sua posição é destacada da nossa.  Eu Leo e Vinicios sentamos juntos e o meu filho Davi fica no meu colo e o Dani no colo da Camila.
Odiado e amado em menos de uma hora. 



Passamos todo o primeiro tempo xingando o Fred - nosso principal jogador na atualidade- e reclamando do Fluminense. Sofremos; meu pai permanece serio e quieto, eu  digo que não vou mais torcer por essa porra de time - uso esse termo mesmo- e Leo se levanta e vai fazer qualquer coisa. Vinicios Xinga a  mim e ao Leo e diz que não somos tricolores de coração e que na verdade até meu pai não merece torcer pelo time.  Mas se no segundo tempo de repente o Fred acerta o pé  e gooooool?  Porra, nos levantamos todos juntos e gritamos; “ puta que pariu! È freeeeed, é tricolooooor!”  Nos abraçamos e jogamos o Davi - meu filho- para o alto. E Davi passa então achar que qualquer um que faça gol no Fluminense é o Fred. Comentamos de como Fred entrará para  a historia como um herói tricolor e meu pai finalmente fala e discute as ações do jogo- como deveria ter sido e como não deveria ter sido- com o Vincios. Eu e Leo nos limitamos a apenas a sorrir e repetir para o Davi que foi gol do Fluminense. Camila nessas horas é a companheira do Vinicios nos comentários sobre as regras e tal - é ela que me explica quando ta impedido-  e beijamos o escudo de nossas camisas...  É nosso culto, nossa missa, particular. O momento que eu meu pai meus irmãos e meus filhos nos tornamos apenas uma coisa só. Um coração verde, branco e grená!

Victor Viana @VianaBuzios

originado no blog: http://www.victorvianabuzios.blogspot.com.br

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Batida de carro no Bairro Palmeiras em Cabo Frio



Apesar da grande mobilização não houve vítimas.

Foto: Victor Viana 
Colisão entre dois carros no Bairro Palmeiras, Rua Belo Horizonte com a Redentor,  mobilizou a Polícia Militar, Guarda Municipal e o Corpo de Bombeiros, que enviou para o local três viaturas, entre elas uma ambulância e um carro para a contenção de incêndios.  No entanto o acidente gerou apenas danos matérias, não tendo nenhum dos ocupantes dos veículos – havia inclusive uma criança- sofrido ferimentos.  A Guarda Municipal ficou junto aos responsáveis por ambos os veículos – um Peugeo e um Megane cinzas- para a realização do BRAT, boletim de registro de acidentes de transito, e a chegada do reboque.

Victor Viana @VianaBuzios 

Final de namoro termina em violência no Jardim Caiçara


 Rapaz acusado de agredir ex- namorada no Jardim Caiçara termina detido.
Policiais conduzem acusado 

Jovem de 20 anos, moradora do Jardim Caiçara, que não quis se identificar por temer represálias,  acionou a polícia pelo telefone 190 denunciando seu namorado - que se negou a informar o  nome - por agressão física.  Imediatamente a vitima foi atendida pelo Cabo Pereira e Cabo Evangelista que detiveram o rapaz e encaminharam os dois para registro na 126° DP de Cabo Frio como também para atendimento médico na UPA de Cabo Frio.  A vítima contou que o rapaz passou a segui-la depois do termino do namoro até que na manhã de quarta feira -31- invadiu sua casa e a agrediu com empurrões e socos, chegando a tentar prende-la  com a corda de uma prancha de surf.  A vítima ainda nos conta que reagiu com socos chegando a ferir a cabeça do ex- namorado.  Na delegacia o rapaz acusado de agressão aparentava tranquilidade chegando a responder com risos perguntas feitas pelos policiais.

Victor Viana @VianaBuzios  

Registro Policial em Cabo Frio


Por Victor Viana 

·         Assaltos no Centro de Cabo Frio

Na noite de Terça Feira – 30- Homem de bicicleta ameaçando estar  armado – com a mão debaixo da camisa - furtou celular e outros pertences de três pedestres no Centro de Cabo Frio. Registro na 126° DP Cabo Frio 

·         Estupro e roubo no bairro do Guarani em Cabo Frio

Mulher foi estuprada e depois teve sua casa assaltada na madrugada de quarta feira – 31- ás três e meia da manhã. A vítima contou ao policial que já acordou com o homem dentro de sua casa, estava sozinha e não teve condições de se defender.  O registro foi feito na 126° DP Cabo Frio.
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      Documentos perdidos

Diogo Estevam Diniz perdeu sua carteira de  identidade e o documento conhecido como verdinho  próximo a São Cristóvão por volta das 23h  de terça feira.  Registrou ocorrência na 126° DP de Cabo Frio.  Contato: 22 9978-7322

Sr. Ercilho Antonio da Silva perdeu a carteira de identidade, CPF e o Cartão de ônibus para Idoso dentro do ônibus Cabo Frio x São Pedro. Registrou ocorrência na 126° DP Cabo Frio   Contato 22 2627-1687