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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Mulher de 30's

Michele é advogada, tem 32 anos e é dona de uma
grife de roupas.
por Michele Oliveira

Sou uma mulher de 30, quero dizer 30 e poucos. Ok! 32. Só faço 33 ano que vem. Sou solteira, é isso mesmo. Não casei, não tô a fim, mentira! Não pintou, incompatibilidade,tô encalhada!!! 

Essa obrigação de estar casada, ter filhos, casa com jardim e cachorro me deixa P da vida. Não posso eu ser feliz sozinha? Tenho que ter alguém? Quando vou naquelas reuniões de família sempre tem aquela tia chata que fala: "Minha filha, cadê o maridão? E os filhos?! Esta ficando pra titia." Tem coisa mais chata e ultrapassada do que isso? Fora de moda né? 

Respiro fundo e penso para não responder e nem chocar a velhinha, mas a minha vontade é falar: "Tia, tá por fora essa história. Não vê aí você casada há tantos anos...Tá feliz? Ele te enxerga? Te troca pelo que? Futebol, amigos, video game? Porque os homens sempre nos trocam por uma dessas coisas,temos que concorrer comisso e sempre perdemos. Eles nos acham chatas, falamos demais, reclamamos demais, falamos de coisas que eles não se interessam. Não gostam de ir na casa das nossas amigas,eles odeiam. Não gostam nem por um segundo de falar de roupas, maquiagem, ir a shoppings.Quer saber tia? Virei bi sexual, melhor ainda tia virei lésbica, tá na moda menina, incrível. Outra mulher te entende tão bem, você deveria experimentar.

Que vontade de falar isso tudo, mas em nome da moral, do bom costume e da hipocrisia, não falo. O Interesse pela sua vida é enorme, todos querem saber o quão bem sucedida você está ou não

Oo facebook agora virou a melhor ferramenta para os fofofoqueiros e invejosos, nada contra,eu uso inclusive, mas vou te falar: tantas pessoas felizes, viajadas, bem sucedidas, com casamentos maravilhosos. Acredito sim na felicidade, mas não nessa planejada, não nessa vitrine, acredito nas coisas naturais, sem serem forçadas e manipuladas, acredito no abraço apertado e despretencioso, no olhar meigo e generoso e porque não no casamento?Sim! Claro! Mas que ele não seja a necessidade da sua vida, que não seja a salvação do seu ser, que não seja a única coisa capaz de te fazer feliz e que de forma nenhuma você se sinta menor por não ter se casado.

Viver sozinho pode ser muito bom. Essa cultura do amor romântico, do exlclusivismo, acabou conosco, mulheres, os tornou infelizese em dívida, até vergonha sentimos porquw não estamos casadas, com filhos. De jeito nenhum amigas!!! Somos livres!!! Donas das nossas vontades, desejos, sonhos. Podemos ir e vir, podemos nos relacionar, amar, sem obrigatoriedades, com a única obrigação que deve ser, ser feliz.Numa sociedade careta como a nossa e hipócrita, temos que fingir sermos tantas coisas que não somos e ás vezes nem gostaráimos de ser, mas nos vendem isso desde muito crianças e acreditamos.

Ser a gente mesmo é a melhor coisa que existe, posso ter mais de 30 e não ter um corpo incrível, uma bunda super dura, nem ter colocado silicone, posso não desfilar num carrão da moda,nem ser atriz de novela, não ter fama, nem sucesso, não vou para Europa uma vez ao ano como gostaria,  não fiz medicina que tem todo o seu glamour, vivo às voltas para pagar as contas, moro sozinha, coloco comida para o cachorro, as vezes nem posso viajar por causa dele, faço mercado, feira, corro pra lá e pra cá pra dar conta de tudo, acordo remelenta, com cabelo todo bagunçado, domingo fico jogada na cama o dia todo com o pijama furado vendo filme e comendo chocolate com coca-cola. Não espero por principes, não espero por ninguém, vou a luta por mim, pelo que amo, pelo que acredito e valorizo.

Sou uma mulher de 30 sim, sou uma mulher de verdade.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Carta aberta de uma mãe indignada



por Camila Raupp 

Decidi me matar mais ainda de trabalhar e pagar uma escola particular pro meu filho.
Graças a Deus eu posso, penso em quem não pode. Penso em quem depende da escola pública. É triste. Meu filho é um menino inteligentíssimo, e quero que ele tenha as oportunidades que eu não  tive.

Na escola pública, no primeiro dia em um trenzinho ele mostrou sua personalidade participativa e criativa, a professora, despreparada ou cheia de tantos problemas para resolver nem sequer olhou em seu rostinho. A animação dele era visível, mesmo com a precariedade do local e dos materiais. Uma escola suja, fria e sem cor. Já demonstrando o tamanho da sensibilidade e disposição às situações difíceis do dia a dia que farão e fazem parte de sua vida desde o seu nascimento.

Não vou criticar a escola, ou os funcionários, pois esse não é o objetivo do meu texto. E sim trazer à discussão que tipo de escola vem sido oferecida aos nossos filhos. Isso não fica apenas no âmbito de Búzios, é um problema nacional.

Depois desse dia voltei para casa chorando e desanimada de deixar meu filho naquela escola. Pensei, como podem profissionais que trabalham com crianças dessa idade sem nenhuma motivação. Eu não sou professora, mas essa é a profissão mais importante do mundo. Todos passam por ela, todos! Desde a presidenta até o astronauta brasileiro.  As lembranças de nossos professores são muito importantes e eu mesma lembro da minha primeira professora em Búzios, tia Viviane, no CEFAP. Quer o mesmo para o meu filho.

Não tenho pena de me privar de divertimentos ou desfazer alguns planos para acomodar o meu orçamento às necessidades do meu filho. Todo pai e mãe quer dar aos filhos o melhor. Por querer o melhor não apenas para o meu filho é que eu não poderia deixar de escrever minha impressão da educação pública.

A educação púbica está negligenciada como um todo. Um governo que lança um programa que tem como base 8 anos para a alfabetização, é um governo que quer manter as mentes limitadas e pouco questionadoras. Meu filho tem 4 anos e conhece todo o alfabeto, escreve o próprio nome, conhece os número de 1 a 20 e faz pequenas somas.


Outro dia, fiz um texto em uma rede social. “Quero ver quem será o vereador que criará a lei e que prefeito a sancionará. Uma lei que mantenha os filhos dos nossos governantes nas escolas públicas. Se isso ocorresse teríamos a melhor educação do Brasil.” NINGUÉM me respondeu. Se fosse um parabéns ou um tapinha nas costas teria curtidas, compartilhamentos e respostas.

Fica aqui o relato. Relato de uma mãe, apaixonada pelo filho e que não mede esforços para vê-lo ter as melhores oportunidades da vida. Peço a Deus que meus esforços o tornem um grande homem que possa dar continuidade às ideias de liberdade e direito para todos que tanto defendo.
















Camila Raupp é blogueira
Editora do Blogão dos Lagos