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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Rio das Ostras: “Liberdade, Liberdade” relembra trajetória dos negros



Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinava um documento que acabava com a mão de obra escrava no Brasil, a Lei Áurea. A partir daí, os negros começaram a reconstruir sua história no País. Param celebrar os 125 anos desta conquista, a Fundação Rio das Ostras de Cultura abre a exposição “Liberdade, Liberdade”, que relembra a trajetória dos negros no Estado do Rio de Janeiro e o provável desembarque dos navios negreiros no município. A mostra, que conta com fotos e objetos antigos, será aberta nesta segunda, 13, a partir das 19h, na Casa de Cultura Bento Costa Junior, no Centro. 

A peça de destaque da exposição é um "viramundo", instrumento de ferro que era utilizado para a tortura de escravos, onde se prendia os pés e os pulsos. O objeto foi encontrado nas escavações para a revitalização da Praça São Pedro. A descoberta do objeto é um dado importante para as pesquisas que investigam se navios negreiros ancoraram nas praias riostrenses. 

O vice-presidente da Fundação Rio das Ostras de Cultura, Mario Marcelo, já visitou três fazendas que mantinham trabalho escravo. Entre elas a Belmont e Santa Isabel, em Rocha Leão, e São João, na divisa com Casimiro de Abreu. O objetivo das visitas é registrar em fotografias esta parte da história que, segundo Mario, anda esquecida. 

“É um lado triste do Brasil. Não queremos nos vangloriar por este passado, mas sim mostrar as conquistas e lutas dos negros nestes anos todos. É importante mostrar o quanto eles foram injustamente maltratados. Registramos senzalas e casas-grandes”, conta. 

João Bernardino é um dos artistas que vão mostrar suas obras. Em um de seus quadros, o pintor retrata um bombeiro negro com uma lágrima. “Quero mostrar a luta destes homens que, com o passar do tempo, tiveram que se estabilizar na sociedade e mostrar suas responsabilidades”, conta. 

Bonecas africanas feitas com papel machê também serão expostas. Para a artesã Célia Silvestre, é uma honra participar desta mostra. “Estudei sobre as performances destas mulheres, suas culturas e seus estilos de vida para retratá-las, da melhor maneira possível, por meio das minhas bonecas. Agradeço o convite, estou muito feliz”, conta. 

HORÁRIOS – A Casa de Cultura fica aberta de segunda a sexta, de 9h às 18h e aos finais de semana de 14h às 18h. 

OUTRAS APRESENTAÇÕES – A Exposição “Liberdade, Liberdade” será marcada com apresentações de Jongo e Capoeira. Em sua abertura, um grupo de teatro fará uma encenação sobre a abolição, motivando aos presentes sobre a consciência da igualdade racial.

Maricá: Prefeitura homenageia 125 anos de abolição

Em homenagem aos 125 anos da Lei Áurea, que decretou a abolição da escravatura no Brasil, a secretaria municipal de Assuntos Religiosos realiza o evento “13 de Maio é Mais Liberdade!” no próximo domingo (12.05), na Praça da Escrava Anastácia, e na segunda-feira (13.05), na Casa de Cultura.

No domingo (12.05), às 17 h, será realizado o 3º abraço simbólico em prol da criação da Praça da Escrava Anastácia, localizada entre as Ruas Soares de Souza e 1º de Abril, próximo ao Cemitério de Maricá. A praça é um espaço para refletir e lembrar de uma mártir da escravidão, que viveu no Brasil no século XVIII, por volta de 1740, considerada heroína pelos afrodescendentes.

Dando prosseguimento às comemorações, na segunda-feira (13.05), às 17h, haverá apresentação de vídeos, palestras e degustação de iguaria popular afro. Na ocasião, também haverá um cadastramento das Casas de Matriz Afro existentes em Maricá, que farão parte do Cadastro Municipal de Religiões e Templos Religiosos - já inserido no site da Prefeitura.

De acordo com o secretário municipal de Assuntos Religiosos, Sérgio Luis de Sousa, o evento será um momento de comemorar as matrizes afro-religiosas pela procllamação da libertação dos escravos e sua importante história de conquistas.